Reza a lenda que, em 1484, a Rainha Dona Leonor, esposa de D. João II, passara, a caminho da Batalha, pelo local onde viriam a nascer as Caldas da Rainha e, ao ver um grupo de pessoas a banhar-se em águas cálidas e pantanosas, as interrogara com a razão de ser desses banhos. Responderam-lhe que essas águas curavam as mais diversas maleitas. A Rainha também aí se banhou e ficou curada da sua doença. Resolveu, assim, mandar edificar um estabelecimento de banhos e o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, em 1485, o hospital termal mais antigo do mundo!

A fundação das Caldas da Rainha confunde-se com a criação do próprio Hospital Termal, influenciando indelevelmente a identidade desta cidade. É, aliás, à Rainha Dona Leonor que a cidade deve o seu nome.

As Caldas da Rainha também se celebrizaram pela tradição cerâmica, fortemente enraizada na cultura local, sendo Rafael Bordallo Pinheiro o nome maior da cerâmica caldense, o qual se converteu num símbolo da própria portugalidade! Hoje em dia, as suas obras são bastante requisitadas no mercado da saudade e o seu expressivo cunho de génio intemporal.  Subsiste ainda uma tradição de produção de cerâmica de cariz erótico, fortemente popular, muito associada às Caldas da Rainha.

Nas Caldas da Rainha, encontrará o único mercado diário de fruta e de vegetais ao ar livre, em Portugal, tendo como palco a colorida e pitoresca Praça da Fruta. Este mercado icónico funciona ainda no local onde originariamente foi criado, no final do séc. XV, atraindo desde então os produtores agrícolas locais, numa verdadeira ode à excelência dos produtos mais frescos e mais genuínos. O tradicional mercado da fruta espera por si. Todos os dias do ano.

O Parque Dom Carlos I é outra das jóias da Coroa desta cidade. Trata-se de um jardim romântico que envolve o antigo hospital termal, erigido durante o reinado de D. João V. Este era um local de recuperação física, onde os pacientes do hospital termal podiam passear e beneficiar do seu efeito apaziguador. No final do séc. XIX, com a ascensão da burguesia e a ligação rodoviária, o arquitecto Berquó assumiu a administração do Hospital Termal, mudando radicalmente o parque que se converteu numa zona de ócio, com um lago central artificial, belas e amplas alamedas e um coreto.

A cultura conventual influenciou fortemente a gastronomia das Caldas da Rainha, destacando-se as trouxas e as lampreias de ovos, as famosas cavacas e os beijinhos. As especialidades locais estão relacionadas com a pesca na Lagoa de Óbidos: os ensopados de enguias da Lagoa, as caldeiradas e os mariscos da Lagoa.

Com 5 séculos de História, em todos os seus cantos e recantos, as Caldas da Rainha não deixam de ser uma verdadeira caixinha de (boas) surpresas! Nas imediações das Caldas da Rainha, a praia da Foz do Arelho oferece uma localização privilegiada entre a Lagoa de Óbidos e o Atlântico, sendo o local ideal para a prática de desportos náuticos e para a pesca. Aqui encontrará os passadiços das arribas da Foz do Arelho, desenhados pela arquitecta paisagista Nádia Schilling, com os seus miradouros que propõem um olhar sustentável sobre o cenário natural em que se enquadram.