Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam
Ordo Militiae Jesu Christi
O Castelo de Tomar, datado do Século XII foi mandado edificar por Gualdim Pais, Mestre Provincial dos Templários e foi, desde 1160, a sede da Ordem do Templo - Non nobis, Domine, non nobis, sed Nomini tuo da gloriam (Salmo de David, que os Cavaleiros Templários adoptaram como seu lema).
Em 1128, os Cavaleiros Templários tinham-se já estabelecido em Soure, perto de Coimbra, e a aliança entre D. Afonso Henriques e os Cavaleiros Templários prolonga-se por toda a I Dinastia da Monarquia Portuguesa – de 1143 a 1385.
A 13 de Outubro de 1307 são presos, em França, todos os Cavaleiros Templários. Julgados como hereges, os Cavaleiros Templários veem ainda a sua muito rica Ordem ser extinta e, Portugal, foi um grande porto de abrigo: D. Dinis tem a genialidade de assumir a defesa da Ordem do Templo quando o Papa Clemente V a decide extinguir. Obedece ao Papa, congela os bens da Ordem em Portugal que ficam sob a administração da Coroa Portuguesa, mas cria, logo em 1318, a Ordem de Cristo - Ordo Militiae Jesu Christi, e isso terá um profundo significado para Portugal e para Tomar.
Em 1417, o Infante D. Henrique é já Governador da Ordem de Cristo!
E é precisamente D. Henrique que, no início do período dos Descobrimentos, inicia a ampliação do Convento de Cristo com a construção de dois claustros: o Claustro do Cemitério e o Claustro da Lavagem. Sobre a antiga casa militar templária - na ala norte do Castelo, D. Henrique instala o seu Paço Real.
A criação da Ordem do Templo em 1119 - inspirada por Bernardo de Claraval, tinha por missão proteger os defender os Reinos Cristãos e Peregrinos que iam para a Terra Santa.
Os Templários - Monges, Filhos Segundos, Aristocratas, Guerreiros com grande experiência de batalhas e arquitectura militar na Terra Santa, transformaram no século XII, a arquitectura militar em Portugal.
O Castelo de Tomar, o Castelo de Almourol e o Castelo de Pombal representam grandes inovações arquitectónicas: são castelos de vanguarda com a Torre de Menagem alta e isolada e Alambor (couraça de pedra encostada à base das muralhas) que, no caso do Castelo de Tomar, é verdadeiramente impressionante!
E esta é a origem dos 45 hectares do Convento de Cristo: a Alcáçova, a cinta amuralhada e a extraordinária peça arquitectónica que é a Charola.
Assim era no século XII, o que hoje conhecemos como Convento de Cristo, Património da Humanidade desde 1983!
A Igreja do Santo Sepulcro e o Templo de Salomão - Cúpula do Rochedo, edifícios de planta centrada, são homenageados pelos Templários na Charola do Convento de Cristo com os seus 16 panos de parede!
É a evocação de Jerusalém, o lugar da Ressurreição de Cristo.
E é por isso que a posterior representação - no reinado de D. Manuel I, da Paixão de Cristo e a da sua Ressurreição teriam que fazer parte da Charola: pintura mural, pintura sobre tábua, escultura em madeira policromada, talha dourada, estuques!
Uma riqueza decorativa que, hoje, constituem a peça mais original e rara do Convento de Cristo.
Depois do Ano 1495
A Charola, cuja estrutura octogonal é a original, tinha a entrada a nascente. Mas a real vontade de D. Manuel I colocou uma nova entrada a sul e ampliou o oratório através de um arco triunfal.
A nave manuelina, obra de Diogo de Arruda (1510-1513) concluída por João de Castilho (1513-1515), dotou a igreja conventual de espaços mais amplos: a continuar a Charola surge um espaço de assembleia, uma sala para sacristia - Sala do Capítulo e, por cima desta, o coro da igreja - Coro Alto.
É na Sala do Capítulo que está a famosa Janela do Capítulo, da autoria de Diogo Arruda, construída entre 1510 e 1513, símbolo da expansão marítima Portuguesa e da concepção imperial que D. Manuel tinha para Portugal.
Em 1528, D. João III mandou edificar um novo e grandioso convento em torno da igreja ampliada por D. Manuel I.
O novo conjunto monástico vai ter as suas dependências organizadas em torno de cinco claustros de traça renascentista.
Entre 1580 e 1640 (período de dominação de Espanha no trono de Portugal), novas construções vão dar continuidade ao novo convento: é concluído o Claustro Principal e no Claustro do Cemitério é edificada a Sacristia Nova.
A fachada será alterada pelos arcos do grandioso Aqueduto dos Pegões, 6 quilómetros, 180 arcos de volta perfeita, desenhados por Filippo Trezi no final do século XVI, início do século XVIII, para levar a água ao Convento.
Nos últimos anos do século XVII, realizaram-se novas obras: a grande Enfermaria e a Botica nova, partes integrantes da actual monumentalidade do Convento de Cristo. A adaptação da ala poente do claustro dos Corvos a um palacete neoclássico é o testemunho da arquitetura e do gosto do século XIX.
Integram os domínios conventuais uma área de floresta, parque e jardim: a Mata dos Sete Montes.
39 hectares que ocupam sete colinas com Oliveiras centenárias, Olaias, Carvalhos, Pinheiros Mansos e Bravos e Ciprestes.
A Charolinha, uma casa de fresco edificada no coração da Mata cerca de 1545 -1550, pelo Arquitecto João de Castilho – rodeada por um tanque circular e uma ponte de acesso foi, durante séculos, a encatadora surpesa da Mata dos Sete Montes. A 28 de Janeiro de 2026 foi destruída pela tempestade Kristin.
Uma Magnifica Sinfonia!
O Claustro principal do Convento de Cristo
É uma das mais belas peças da Arquitectura Europeia do Renascimento.
Marca a abertura de Portugal ao cosmopolitismo do Renascimento pelo traço do Arquitecto Diogo de Torralva.
É uma peça extraordinária: três arcos que se repetem nas faces duma planta quadrangular - a planta do Claustro, intervalados por colunas, diferentes de piso para piso!
Esta composição a ritmos e escalas diferentes - linhas rectas horizontais e verticais, e a sucessão dos arcos, criam uma harmonia estética magistral! Um enorme contraste com o rendilhado da pedra do período do Convento de Cristo no tempo de D. Manuel I!
O Convento de Cristo combina de forma ímpar diferentes épocas!
É uma gloriosa escola de arquitectura!
D. João III - filho de D.Manuel I, encomenda a João de Castilho este Claustro mas, inexplicavelmente, quase no final da sua vida, D João III decide reformulá-lo e é assim que o Arquitecto Diogo de Torralva, faz deste Claustro uma obra magnifica.
Cumpriu a encomenda de Dona Catarina, esposa de D João III que, entretanto, tinha morrido, não sem antes discutir a obra do claustro com Diogo de Torralva. Não admira que a cópia do Tratado de Vitrúvio, obra do século I a.C., entretanto descoberta, tenha sido mandado traduzir a Pedro Nunes, por sua real vontade, o que muito diz da erudição de D. João III.
Diogo de Torralva teve a genialidade de manter na reformulação, a obra de João de Castilho, o primeiro arquitecto deste Claustro!
Horário
De Outubro a Março
09:00 - 17:30 (última entrada às17:00)
De Abril a Setembro
09:00 - 18:30 (última entrada às 18:00)
Encerra a 1 de Janeiro, 1 de Maio e 25 de Dezembro.