Artes e Cultura

Cafés históricos & escritores

Cafés históricos & escritores
Coimbra foi desde sempre uma das cidades culturalmente mais relevantes em Portugal. Os seus cafés históricos eram palco de inúmeras tertúlias iluminadas entre prestigiados escritores portugueses que partilhavam as suas visões para o futuro do país. O histórico Café Paraíso, em Tomar, é uma paragem obrigatória na cidade templária de Portugal, ponto de encontro de intelectuais de renome como Umberto Eco. Óbidos é uma enorme livraria ao ar livre, um lugar onde a palavra escrita é venerada e celebrada. 

Universidade de Coimbra formou diversas gerações de conceituados intelectuais no seio do mundo lusófono.

Cafés históricos de Coimbra

Os cafés históricos mais importantes de Coimbra eram: o Café Central, A Brasileira e o Café Santa Cruz. De todos estes cafés apenas o Café Santa Cruz sobreviveu, detentor de uma belíssima localização no coração da baixa de Coimbra.

Um local simbólico da cidade, assim como ponto de encontro de escritores e intelectuais de Coimbra, o Café Central era um dos últimos cafés históricos de Coimbra. Era aqui que o icónico Miguel Torga - pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha - vinha amiúde. Miguel Torga era um profundo conhecedor da alma portuguesa, autor de algumas das obras mais relevantes da literatura portuguesa. O Município de Coimbra criou a Casa-Museu Miguel Torga, reunindo obras da biblioteca pessoal do autor, assim como objectos pessoais importantes, como por exemplo: a sua máquina de escrever, uma caneta e um estetoscópio, dado que era médico.

Café Brasileira, situado na Rua Ferreira Borges, era um dos cafés históricos mais movimentados e mais distintos de Coimbra. Inaugurado em 1921, este era um ponto de encontro para os escritores amantes da liberdade, como: Alberto Vilaça, António Arnaut,Augusto Nunes Pereira, Gonçalo Reis Torgal, Joaquim Namorado, Manuel Alegre, Mário Silva, Lousã Henriques, Miguel Torga, Paulo Quintela, Rui Pato, Vasco Berardo, Vitorino Nemésio e Zeca Afonso, para além de Miguel Torga. Era um local de tertúlia literária e política, mas também de conspiração contra a ditadura de Salazar, onde os escritores e os intelectuais sonhavam com um Portugal livre e democrático.

Café Santa Cruz, centralmente situado na Praça 8 de Maio, foi inaugurado oficialmente, com toda a pompa e circunstância, a 8 de Maio de 1923. Alojado numa antiga igreja, este edifício em estilo manuelino, construído em 1530, sofreu inúmeras alterações ao longo dos séculos. Este café encantador continua a ser um ponto culturalmente relevante da cidade de Coimbra, prestando homenagem ao seu passado rico de tertúlias literárias. O Café Santa Cruz organiza eventos culturais regulares, tais como: lançamentos de livros, espectáculos de música ao vivo ou conversas interessantes com contadores de histórias.

A Geração de 70

A Presença –Revista de Arte e Crítica foi uma das revistas literárias mais influentes do século XX. Foi lançada por José Régio, Branquinho da Fonseca e Gaspar Simões em Coimbra no dia 10 de Março de 1927. Foram publicados 55 números até a publicação cessar em 1940. 

Ao longo dos seus 13 anos de história, a revista contou com os contributos de figuras cimeiras da cultura portuguesa, tais como: Edmundo de Bettencourt, António Navarro, Casais Monteiro, Miguel Torga, Irene Lisboa e João Gaspar Simões, entre outros.

Esta revista é considerada um verdadeiro marco do modernismo português. Além disso, a revista desempenhou um papel crucial na introdução de autores estrangeiros de renome como Proust, Ibsen, Dostoiesvsky, Jorge Amado ou Cecília de Meireles, junto do público português. 

Antero de Quental, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão e Teófilo Braga – os nomes mais celebrados da geração de 70 em Coimbra - viveram em Coimbra numa era vibrante de ideias e ideais, sendo, com a generosidade e os sonhos próprios da juventude, os símbolos do liberalismo europeu moderno e desempoeirado.

Os "loucos anos 20" terão sido uma época extraordinária para a Geração da Presença. Nessa época, Régio, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões chegaram a Coimbra, foi lançada a primeira edição da Orfeu (1915) e a onda sísmica causada pela exultante libertação das palavras dos autores da Orfeu continuaram a emitir novas réplicas. Tudo parecia possível.

A Presença era vista mais como um movimento crítico do que literário ou libertário. Havia chegado o tempo do compromisso. Mas esta geração notável deixou em Coimbra e no país a indelével marca do modernismo.

Café Paraíso, em Tomar 

O Café Paraíso é ponto de paragem obrigatória de Tomar, a cidade templária de Portugal. Situado na Rua da Corredoura, este café histórico, fundado em 1911, oferece aos seus visitantes uma atmosfera nostálgica, a par de um serviço afável. 

"Parti de Portugal e de Tomar com a mente em chamas", diz uma das personagens do Pendulo de Foucault um dos mais aclamados livros de Umberto Eco. Umberto Eco esteve em Tomar em 1984 e o Café Paraíso,  que há mais de um século é o ponto de encontro da cidade, esteve tal como o Convento de Cristo, no roteiro de Umberto Eco.

"Se eu conseguia imaginar um castelo templário, assim era Tomar”, acabaria por escrever Umberto Eco que de Tomar disse ser o ‘Umbigo do Mundo’ - L'ombelico del mondo". 

O charme imbatível do passado no coração do centro histórico de Tomar. Os habitantes de Tomar dizem que o Café Paraíso é um paraíso de manhã, um purgatório à tarde e um inferno à noite!

Óbidos Vila Literária

O projeto Óbidos Vila Literária é uma iniciativa da Câmara Municipal de Óbidos e da livraria «Ler Devagar», que teve início em 2013. O conceito básico deste projeto fascinante consistia em transformar locais inesperados, como uma igreja desacralizada, uma adega ou um mercado biológico, em livrarias. Podemos afirmar, sem dúvida, que toda a cidade de Óbidos é uma encantadora livraria ao ar livre. Um lugar no mundo que requer tempo e paz de espírito para ser lido na íntegra. 

Desde então, a narrativa de Óbidos tem-se desenvolvido em torno de livros, livrarias e autores, pelo que, em 2015, Óbidos foi incluída na lista das Cidades Criativas da UNESCO. Foi também em 2015 que teve lugar a primeira edição do FOLIO - Festival Internacional de Literatura de Óbidos. Este tornou-se rapidamente um dos festivais de literatura mais conceituados de Portugal.

Ao longo de uma década, o FOLIO - Festival Internacional de Literatura de Óbidos reuniu mais de 800 autores, vencedores do Prémio Nobel como Svetlana Alexievich ou J. M. Coetzee, escritores de língua portuguesa de prestígio, e conseguiu também criar laços frutíferos com outros países. 

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