Rocha ígnea cristalina formada a grande profundidade, sob condições extremas de calor e pressão.
Predominante na crosta continental - na ossatura do substrato rochoso dos condimente (em oposição ao basalto “lato sensu” que assume essa predominância no substrato rochoso dos fundos oceânicos).
Portugal não é excepção: são desta rocha as velhas muralhas, os muros e as paredes de pedra solta de muitos castros e povoados surgidos por volta de 1200 anos A.C., com a penetração da civilização Celta, num período, grosso modo, coincidente com a Idade do Ferro. São desta época as frustes representações escultóricas em granito como a Porca de Murça
Durante os cerca de cinco séculos de ocupação romana, os hábeis arquitectos e construtores, usaram o granito no levantamento de muralhas, empedramento de estradas, construção de pontes, talhe de cantarias urbanas que resistiram ao tempo, e que hoje, volvidos mais de dois mil anos nos maravilham.
Na Idade Média, muitos dos castelos árabes e das igrejas e catedrais românicas e góticas do Centro e Norte de Portugal tiveram no granito aparelhado, a pedra por excelência.
Erigida sobre granito
A imponente Sé de Viseu, assente sobre afloramentos graníticos foi edificada no século IX, sobre a primitiva basílica paleocristã - facto confirmado pelas escavações de 1988. Tinha uma abside central e dois absidíolos, separados por pedras almofadadas de granito, estando o edifício caiado. Interior pintado com frescos, sendo as cores dominantes os ocres. No local, vestígios de dois edifícios primitivos romanos. Anexa, existia uma necrópole, escavada no ano de 1991
Anta de Pendilhe
Num relevo denominado “Picoto do Vasco”, entre as freguesias de Pendilhe e Vila Cova à Coelheira encontra-se um dos mais fantásticos e singulares monumentos megalíticos de Portugal: comunidades do Neolítico Final realizaram neste monumento rituais relacionados com a morte que implicaram acender uma gigantesca fogueira sobre o sepulcro, como demonstram as massas líticas vitrificadas integradas no tumulus e em torno do dólmen e do corredor de acesso.
Edificada há seis mil anos pelas primeiras populações de agricultores e pastores é um dólmen composto por uma câmara de nove esteios com 2,86 m de comprimento, 3,40 m de largura e 2,80 m de altura, e um corredor com 5,20 m de comprimento, orientado a sudeste.
Do antigo corredor restam apenas quatro esteios na sua posição original, sendo possível, durante os trabalhos arqueológicos, identificar as fossas de assentamento de mais oito esteios, o que permitiu a sua reconstituição através da colocação de um muro de pedras soltas.
O longo e possante corredor de acesso, aberto e forrado de lajes fazia a ligação a um grande átrio onde eram realizados os cerimoniais fúnebres.
Localizada na EN 225, que liga Vila Nova de Paiva a Castro Daire, ao Km 79,1, no caminho rural que liga Pendilhe a Vila Cova à Coelheira.
Pedra do Sino
Pedra do Sino, também chamada de Penedo do Sino ou Pedra Sineira, na Necrópole de São Gens.
Um imponente bloco de granito pedunculado, esculpido pela acção dos agentes naturais ao longo do tempo, notável por seu equilíbrio, conferindo-lhe uma aparência singular e atraente. Acredita-se que tenha possuído um significado mágico-religioso para as populações antigas da região, dada sua proximidade e possível relação simbólica com a necrópole de São Gens escavada directamente na rocha, com cerca de 54 sepulturas de diferentes tipologias.
Localiza-se a 02 km a norte de Celorico da Beira, na Serra da Estrela.
Serra da Estrela
A Serra da Estrela é constituída por extensos afloramentos de granitos, com idade entre 340 a 280 milhões de anos, intercalados com rochas metamórficas, como os xistos e os grauvaques, de idade entre 650 a 500 milhões de anos.
Nas áreas de granitos, com maior expressão no extremo norte da montanha e no maciço superior e zonas envolventes, a paisagem é dominada por planaltos extensos delimitados por vertentes abruptas.
Nestas zonas, os cursos de água encontram-se instalados sobre a rede de falhas e fraturas tectónicas existente, apresentando, por isso, um traçado essencialmente retilíneo.
Nos locais que estiveram sujeitos à ação dos glaciares, durante o último período glaciário, podem observar-se formas erosivas, como circos e vales glaciários e rochas aborregadas, bem como formas de acumulação, como moreias e blocos erráticos.
Os testemunhos mais impressionantes deste período incluem, entre outros, o vale superior do Zêzere, a Garganta de Loriga, a Nave de Santo António, a moreia lateral do Covão do Urso, os blocos erráticos na margem norte da Lagoa Comprida e o Poio do Judeu, bloco errático de dimensões ciclópicas.
Um questão de terroir
O granito é o pilar fundamental do terroir do Dão.
É responsável pela identidade sensorial única, elegância e longevidade dos vinhos da Região Demarcada do Dão.
A influência do granito traduz-se em vinhos com acidez vibrante, mineralidade marcada e taninos finos.
O solo granítico, combinado com a altitude da região (150 a 700 metros), contribui para uma maturação lenta das uvas o que preserva uma acidez natural elevada, essencial para vinhos brancos (como o Encruzado) e tintos (como a Touriga Nacional), conferindo-lhes frescura, tensão e um final longo.