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O mar

O mar
O mar corre nas veias dos portugueses desde o início dos tempos. Tem inspirado poetas e escritores portugueses de todas as gerações e foi o ponto de partida para o movimento dos Descobrimentos. O mar é fio condutor para compreender a nostalgia e a alma melancólica dos portugueses, tal como a palavra «saudade». Define um passado coletivo, mas também traça os caminhos do futuro.  

O mar é um elemento fundamental para compreender a alma portuguesa. Fonte de inspiração para muitos poetas e escritores ao longo  dos séculos, o Oceano Atlântico sempre foi, nas palavras sábias do antigo político Adriano Moreira, «a nossa janela para o Atlântico é o nosso espaço de liberdade».

Situado no ponto mais ocidental do continente europeu, Portugal faz fronteira com Espanha e com o Atlântico. Mais do que uma fronteira geográfica, o mar sempre foi para os portugueses uma via de acesso ao mundo. Durante os Descobrimentos, nos séculos XV e XVI, os portugueses abriram importantes rotas marítimas para África, América e Ásia. 

Os Descobrimentos Portugueses desempenharam um papel fundamental na exploração do mundo marítimo. País de marinheiros e navegadores, Portugal tem sido reconhecido pela elevada competência e profundo conhecimento das questões relacionadas com o mar.

Atualmente, a transição para uma economia azul marca o início de uma nova era, uma redescoberta do mar.

Portugal possui uma tradição duradoura na construção e reparação naval. Os estaleiros de Aveiro – Navalria – e de Peniche – Estaleiros Navais de Peniche – são uma referência mundial em termos de know-how, qualidade e especialização.   

O mar define a identidade portuguesa, pois contribuiu para moldar a história, a gastronomia, a cultura e a economia do país, bem como a forma como os portugueses se veem a si próprios: um povo com um território reduzido, mas historicamente ligado ao mundo através do Oceano Atlântico.

O mar como caminho para um futuro melhor. Um objetivo comum. 

A Mensagem de Fernando Pessoa

Na sua obra-prima icónica, *A Mensagem* (1934), Fernando Pessoa encara o mar como um símbolo central da identidade portuguesa. O mar como símbolo do destino dos portugueses, uma missão nacional.

Nesta obra-prima, o mar tem um duplo significado: por um lado, representa a glória e, por outro, simboliza a dor e a perda, custando milhares de vidas, sacrifícios e sofrimento extremo. 

O oceano transmite uma ideia quase espiritual: Portugal está destinado a ser uma grande nação e também a noção do 5.º Império é de natureza espiritual. O mar como caminho para um destino maior.

O mar está também profundamente ligado ao conceito tão português de «saudade». A eterna nostalgia por algo que não se concretizará, a luta entre partir e desejar ficar. Um sentimento muito português. Um problema basicamente insolúvel.

Sophia de Mello Breyner Andresen

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."

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